Imagine o Brasil de 1962. O país vivia uma transição política brutal, Jânio Quadros havia renunciado e a economia oscilava como um barco à deriva. No meio dessa incerteza, as pessoas buscavam na televisão uma válvula de escape. Mas a TV daquela época era rudimentar: preta e branca, com câmeras pesadíssimas e estúdios que ferviam sob luzes que faziam qualquer um suar.
Foi nesse cenário que um jovem de 31 anos, vindo do rádio e com um passado de vendedor ambulante nas ruas, decidiu que era hora de conquistar a tela. O diretor de programação da TV Paulista na época, um veterano experiente, foi categórico três horas antes da estreia: colocar um "camelô" no ar seria o maior erro da história da emissora. Ele acreditava que a televisão exigia um formalismo que Silvio Santos, com sua energia inesgotável e estilo popular, não possuía.

Sem roteiro, sem ensaio e enfrentando o total descrédito da cúpula da TV, Silvio entrou no palco. Ele não respondeu às críticas; ele simplesmente agiu.
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